Mestre Leopoldina: Guardião da Capoeira Carioca
Nascido em 12 de fevereiro de 1933 no Rio de Janeiro, Demerval Lopes de Lacerda ganhou o nome de Mestre Leopoldina. Durante a adolescência, fugiu de casa e passou a vender doces na Central do Brasil, onde absorveu a malandragem e o jogo típico da Capoeira Carioca. Tudo começou quando ele conheceu Quinzinho, capoeirista das maltas cariocas, que ensinou-lhe o estilo sem música – um jogo marcado pela astúcia e combate urbano.
Formação em Capoeira Angola e Regional
Da malandragem carioca ao palco do samba
A partir de 1961, Leopoldina passou a atuar na ala-show da escola de samba Mangueira, trazendo 60 capoeiristas para desfiles que misturavam Samba de Roda e Capoeira Angola na avenida.
Reconhecimento internacional
Após se aposentar do cais do porto devido a um acidente, passou a viver intensamente como mestre — ensinando e se apresentando em rodas na Suíça, Itália, Holanda, Alemanha e Senegal, levando seu estilo de Capoeira Angola e Carioca ao exterior
Estilo, legado e filosofias
A arte do berimbau e da malandragem
O jogo de Mestre Leopoldina é frequentemente descrito como rápido, imprevisível e repleto de mandinga – característica marcante da Capoeira Angola. Conhecido por composições como “a capoeira é a maçonaria da malandragem”, tornou-se referência pela elegância e humor que expressava nas rodas.
Documentários e memória viva
Seu legado foi retratado no documentário Mestre Leopoldina – A Fina Flor da Malandragem, lançado em 2005, com depoimentos e histórias narradas por Nestor Capoeira. Morreu em 17 de outubro de 2007, em São José dos Campos – SP, deixando saudade e influência nas gerações de angoleiros e regionalistas
Mestre Leopoldina no diálogo entre estilos
Capoeira Carioca: seu início, marcado por jogos de rua e combate sem música, moldou sua malandragem original.
Capoeira Angola: ritmo, cadência e jogo estratégico com berimbau definiram seu estilo mais maduro e filosófico.
Capoeira Regional: elementos de disciplina e sistematização foram assimilados e adaptados em seu jogo pessoal, mesmo sem se filiar diretamente a mestres como Bimba
Da Rua para o Mundo: O Legado Imortal de Mestre Pastinha
Conclusão
Mestre Leopoldina permanece como uma das figuras mais emblemáticas da capoeira brasileira, especialmente por sua habilidade em transitar entre estilos distintos como a Capoeira Angola, a Capoeira Regional e, sobretudo, a tradicional Capoeira Carioca. Sua trajetória revela mais do que técnica — expressa vivência, malandragem, cultura e resistência.
Ao incorporar a elegância do samba, o jogo da rua, o toque do berimbau e a teatralidade das rodas, Leopoldina construiu um estilo único, que inspirou gerações e elevou a capoeira a espaços de arte, cultura e respeito. Seu legado se mantém vivo nas rodas do Brasil e do mundo, nas músicas que compôs, nos alunos que formou e nas histórias que ainda circulam como ensinamentos orais.
Para quem busca compreender a alma da capoeira – em sua raiz africana, em sua ginga carioca, em sua ritualística angoleira ou na pedagogia regional –, mergulhar na história de Mestre Leopoldina é reconhecer a própria essência dessa arte-mundo. Sua memória é resistência, poesia e mandinga.
“A capoeira é a maçonaria da malandragem.” — Mestre Leopoldina
Esse é um chamado para que cada capoeirista, hoje, valorize suas origens e ajude a manter acesa a chama daqueles que abriram caminho com sabedoria, coragem e ginga.
Fontes de Pequisa: Capoeira History e Wikipédia





